98% dos gestores acham que estão prontos. O estudo publicado esta semana diz outra coisa.

98% dos gestores acham que estão prontos. O estudo publicado esta semana diz outra coisa.

Quase todos os gestores de pessoas (98%) e profissionais de RH (97%) acreditam que os gestores estão preparados para liderar os desafios que aí vêm. É a confiança quase total. E é exatamente aí que está o problema.

Um estudo publicado pela Careerminds a 4 de agosto de 2026, "The Leadership Readiness Gap", cruzou essa confiança com a preparação real, e o resultado é um fosso que deixa pouco espaço para dúvidas.

A confiança não é o mesmo que capacidade

Apesar de quase toda a gente concordar que os gestores estão prontos, menos de metade sente que estão bem preparados para os principais desafios de liderança de hoje. A confiança está lá. A capacidade específica, não tanto.

Isto devia soar familiar a quem já trabalhou com equipas de liderança. É fácil confundir "sinto-me capaz" com "tenho as competências concretas para esta situação específica". São coisas diferentes, e a diferença só aparece quando a situação difícil chega.

Onde o fosso é mais visível

A IA é o exemplo mais claro. Apenas 35% dos gestores dizem que a IA tornou a sua função significativamente mais fácil. A maioria reporta mais ansiedade nas equipas, fluxos de trabalho em mudança constante, novas competências exigidas, e mais pressão para entregar resultados com menos recursos.

As conversas difíceis são outro ponto cego. 97% dos profissionais de RH acreditam que a organização dá formação adequada para lidar com despedimentos, ansiedade relacionada com IA e conflitos no trabalho. Só 41% dos próprios gestores concordam que receberam essa preparação. É uma diferença de perceção entre quem desenha a formação e quem a tem de aplicar na prática, ao vivo, com uma pessoa à frente.

A visão muda consoante o lugar na hierarquia

66% dos gestores de topo dizem sentir-se muito preparados para liderar os desafios futuros. Entre gestores intermédios e seniores, essa percentagem cai para 42%. O mesmo padrão repete-se nas conversas difíceis: 61% dos executivos sentem que a formação é muito adequada, contra 38% dos gestores intermédios.

Isto sugere algo incómodo: quem desenha as políticas de desenvolvimento de liderança está, em média, mais confortável do que quem está mais perto do terreno, a lidar todos os dias com o desconforto real da função.

O peso de estar no meio

Quase nove em cada dez profissionais de RH (88%) e 72% dos gestores reconhecem que os gestores vivem regularmente presos entre as expectativas dos executivos e as necessidades das equipas. Menos de metade sente que tem apoio organizacional forte para gerir essa tensão.

É a posição mais desgastante da hierarquia, e também a menos equipada.

O que isto custa às organizações

Os inquiridos ligam diretamente estas lacunas de liderança a mais risco de saída de talento, escassez de competências críticas, menor engagement, decisões mais lentas e produtividade reduzida. Não é um problema abstrato de formação. É um problema com impacto direto no negócio.

A pergunta que fica

Se perguntares aos teus gestores intermédios se se sentem prontos para os próximos dois anos, a resposta provavelmente vai ser sim. A pergunta mais útil é outra: prontos para quê, exatamente, e com que apoio concreto por trás dessa confiança?

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