Formação de liderança: o paradoxo dos $366 mil milhões

Formação de liderança: o paradoxo dos $366 mil milhões

$366 mil milhões por ano em formação de liderança. Engagement no nível mais baixo desde a pandemia. Se estamos a investir mais do que nunca, porque é que as pessoas estão cada vez mais desligadas do trabalho?

A resposta não está na falta de orçamento. Está em como esse orçamento é gasto.

O problema não é o dinheiro

Se investir em liderança resolvesse o problema, já estaríamos resolvidos há muito tempo. As empresas não estão a poupar. Estão a gastar cada vez mais, todos os anos, em programas de formação, workshops, certificações, plataformas de e-learning, coaching executivo. E, ainda assim, o engagement continua a cair.

Isto devia incomodar mais gente do que incomoda. Porque a lógica implícita por trás de todo este investimento é simples: mais formação, melhores líderes, mais engagement. E os números dizem que essa lógica está errada, ou pelo menos incompleta.

Onde está a fuga

A maior parte da formação de liderança ainda é desenhada para um problema que já não existe da mesma forma. Modelos genéricos, aplicados a contextos que exigem respostas específicas. Conteúdo que se aprende numa sala (ou num ecrã) e que nunca chega a tocar o dia a dia real de quem lidera uma equipa sob pressão, com prazos apertados e pessoas cansadas.

Há um sintoma claro disto: a maioria dos gestores continua a assumir a primeira posição de liderança sem qualquer preparação formal. Aprendem a liderar a fazer, a errar, sozinhos. A formação chega depois, quando já se instalaram hábitos, e muitas vezes chega desligada da realidade que esses líderes enfrentam todos os dias.

Formar alguém em teoria de liderança sem lhe dar espaço para praticar, errar e ajustar em contexto real é como ensinar alguém a nadar com um manual. Pode até saber tudo sobre braçadas. Vai afundar-se na primeira piscina.

O que realmente falta

Não é mais conteúdo. É mais prática situada, mais acompanhamento próximo, mais espaço para errar sem que isso custe a carreira. É trocar a lógica de "programa de três dias e certificado no fim" pela lógica de desenvolvimento contínuo, integrado no trabalho real, com feedback frequente e específico.

As organizações que estão a conseguir reverter esta tendência não estão necessariamente a gastar mais. Estão a gastar de forma diferente: menos em conteúdo genérico, mais em acompanhamento próximo aos gestores, sobretudo aos que estão a assumir a primeira função de liderança e aos que sentem mais pressão no meio da hierarquia.

A pergunta que fica

Se a tua empresa investe em liderança e o engagement continua a cair, a pergunta não devia ser "quanto mais precisamos de investir". Devia ser "no que é que estamos, de facto, a investir".

$366 mil milhões é muito dinheiro para continuar a fazer a mesma pergunta errada.

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