O maior ponto cego da LIDERANÇA

O maior ponto cego da LIDERANÇA

95% dos líderes acreditam que são eficazes. Apenas 30% dos colaboradores concordam.

Este tipo de diferença não é um erro de medição. É um sintoma.

Duas fotografias do mesmo líder

Pede a um líder para se avaliar e a resposta, na esmagadora maioria dos casos, é positiva. Pede à equipa que reporta a esse líder para fazer a mesma avaliação e o retrato muda por completo. Não é que um dos dois esteja a mentir. É que estão a responder a perguntas diferentes, mesmo que a pergunta escrita seja a mesma.

O líder responde com base na intenção: quis ajudar, tentou ouvir, esforçou-se por ser justo. A equipa responde com base no impacto: sentiu-se ouvida, foi tratada com justiça, saiu das reuniões mais clara ou mais confusa. Intenção e impacto podem apontar em direções completamente opostas, e é exatamente aí que mora este fosso de 65 pontos percentuais.

Porque é que ninguém avisa

Quem está no topo da hierarquia recebe cada vez menos feedback direto e sincero à medida que sobe. As pessoas hesitam em corrigir quem tem poder sobre as suas carreiras. Reuniões de equipa tornam-se palco em vez de espaço de troca real. E, sem sinais de contradição, a autoavaliação positiva fica sem oposição, sem qualquer mecanismo que a teste contra a realidade.

O resultado é um líder genuinamente convencido da própria eficácia, rodeado de pessoas que já desistiram de tentar dizer-lhe o contrário.

O que não sabes que não sabes

Esta frase parece um trocadilho, mas descreve com precisão o problema. Não se trata de líderes com más intenções, nem sequer de líderes incompetentes. Trata-se de um ponto cego estrutural: aquilo que a pessoa não consegue ver sobre o próprio impacto, precisamente porque a posição que ocupa filtra a informação que chegaria a corrigir essa visão.

Não há treino técnico que resolva isto sozinho. Resolve-se com mecanismos deliberados de confronto entre perceção e realidade: feedback 360º bem conduzido, espaços seguros onde a equipa possa falar sem custo, e sobretudo, líderes que peçam ativamente a informação que mais os incomoda ouvir.

A pergunta que fica

Se 95% dos líderes acreditam que são eficazes, a pergunta que interessa não é "és um bom líder". É: quando foi a última vez que alguém te disse, sem filtro, o que realmente pensa do teu impacto? E o que fizeste com essa informação depois de a ouvires?

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