Feedback, Feedforward e uma Técnica Teatral para Equipas Ágeis
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O que significa comunicar?
A palavra comunicação traz à superfície algo que usamos todos os dias… mas que raramente exploramos em profundidade.
Somos, essencialmente, linguagem — símbolos que usamos para construir significado, moldar o mundo e interpretar uns aos outros.
Vivemos num sistema simbólico feito de palavras, gestos, expressões e tom. É por isso que a comunicação nunca é neutra. É um ato criativo e interpretativo, consciente e inconsciente.
Cada palavra pode ter múltiplos significados, dependendo da cultura, região (mesmo entre o Norte e o Sul do mesmo país), ou até do estado emocional do ouvinte.
Comunicar com clareza e intenção não é apenas desejável, é essencial.
Requer atenção aos símbolos, ao contexto e aos significados que cada pessoa pode atribuir ao que dizemos.
Comunicação é mais do que palavras
Para além do verbal, existem muitas formas de comunicar — e cada pessoa recebe e responde de forma diferente.
Podemos pensar em três canais sensoriais predominantes na comunicação:
● Visual: imagens, expressões faciais, linguagem corporal
● Auditivo: tom, ritmo, volume, palavras
● Cinestésico: sensações físicas, empatia, emoção
Muitas vezes dizemos algo que parece “correto”, mas o que realmente chega à outra pessoa é o que ela interpreta — com base na sua experiência, canal dominante e background cultural.
Um exercício simples:
Quando alguém nos diz algo importante, estamos realmente a ouvir ou apenas a interpretar?
Validamos a nossa compreensão?
Quantas vezes tiramos conclusões precipitadas em vez de perguntar com curiosidade?
Mais adiante, vamos explorar uma técnica inspirada no teatro que nos ajuda a desenvolver estas ferramentas essenciais de comunicação — escuta, feedback e questionamento — num contexto de equipa ágil, promovendo, em última análise, a empatia e a coesão da equipa.
Feedback que destrava o futuro
Dar feedback não é apenas apontar o que correu mal. É uma prática de escuta, empatia e conexão.
● A comunicação não verbal importa: postura, tom de voz, expressões faciais… tudo conta.
● A escuta ativa é essencial: estar presente, sem julgar ou preparar a sua resposta.
● Parafrasear ajuda a validar a compreensão.
Mais do que repetir palavras, trata-se de garantir que compreendemos o cerne do que foi dito e de dar à outra pessoa espaço para confirmar ou clarificar.
É neste espaço seguro que o feedforward acontece naturalmente, não como correção, mas como cocriação do próximo passo.
E se usássemos o teatro para treinar isto?
Há uma técnica inspirada no teatro de improviso que pode ser transformadora para equipas ágeis: o questionamento constante.
Em vez de responder automaticamente, aprendemos a manter a questão, a ouvir e a aprofundar.
"Em vez de reagir, perguntamos.
Em vez de julgar, exploramos."
Num contexto onde não há agilidade sem entendimento mútuo, esta prática traz leveza, bem-estar e um sentido de brincadeira — tudo o que uma equipa precisa para construir confiança e esticar-se em segurança.
Como funciona?
A dinâmica é simples, divertida e desafiadora.
Sempre com dois participantes de cada vez, num formato rotativo:
● Quem “perde” (responde em vez de perguntar, hesita ou bloqueia) sai.
● A pessoa que “ganha” (mantém um fluxo fluente de questionamento) fica.
● Outro membro da equipa entra, e o jogo continua.
Regras a aplicar
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Tópico claro, por exemplo, “Como podemos melhorar as nossas reuniões?”
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Suspender o julgamento. Evitar tirar conclusões precipitadas.
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Apenas perguntas. Sem afirmações disfarçadas.
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Foco na outra pessoa. A pergunta é para apoiar, não para impressionar.
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Tom lúdico e leve. O riso é bem-vindo. Os erros também.
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Valorizar o silêncio. Pensar antes de falar é um superpoder.
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Aumentar gradualmente a velocidade. Para criar foco, criatividade e desafio sob pressão — mas num espaço seguro onde todos sabem que estão a experimentar.
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Os facilitadores provocam suavemente. “Isso foi mesmo uma pergunta?”, “Faz sentido continuar?”
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A coesão acontece sem se notar. O grupo começa a alinhar-se e a corrigir-se naturalmente. E isso… é cultura emergente.
Um exemplo prático
Tópico: “Como podemos melhorar a colaboração remota?”
A: “Achas que usamos as ferramentas digitais de forma eficaz?”
B: “O que seria usar de forma eficaz, para ti?”
A: “Sentiste que colaboramos bem ontem?”
B: “Sim, acho que sim…” (Resposta disfarçada!)
Facilitador: “Isso foi uma pergunta? Equipa, o que acham? Continuar ou trocar?”
O grupo decide. Riem, refletem, participam.
E sem sequer se aperceberem, estão a praticar presença, escuta e coesão.
Por que é que isto importa?
Porque equipas verdadeiramente ágeis não são apenas rápidas.
São seguras, humanas, conectadas e conscientes.
E este tipo de dinâmica cria um espaço onde o feedback e o feedforward deixam de ser eventos formais — e tornam-se uma forma fluida de interagir, alinhar e construir clareza em torno das expectativas.
Por: Manuela Rebocho
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